Protocolos de transfusão maciça: o que são e para que servem? 22/11/2022

Um protocolo é um conjunto de informações, decisões, normas e de regras definidas. Os protocolos de transfusão maciça não são diferentes. Eles descrevem o processo de gerenciamento das necessidades de transfusão de sangue em episódios de grandes hemorragias, auxiliando nas interações dos médicos que tratam e do banco de sangue e garantindo o uso criterioso de sangue e hemocomponentes1.

Existem inúmeras situações que podem fazer uma pessoa perder uma grande quantidade de sangue: politraumatismo, cirurgias de grande porte, sangramentos gastrointestinais, hemorragia obstétrica, são algumas das quais podemos citar1

Em casos como esses se faz necessário que ocorra uma infusão rápida de hemocomponentes, ou transfusões maciças, ou seja troca de mais de 50% do volume de sangue em até 3 horas ou perda de mais de 1,5 mL de sangue/kg/minuto em um adulto, por pelo menos 20 minutos2.

Para que serve a transfusão maciça?

O reconhecimento da necessidade da transfusão maciça e seu manejo eficiente são vitais para resultados bem-sucedidos após grandes perdas de sangue1. Isso porque o que se busca inicialmente é a rápida restauração do volume sanguíneo circulante, a correção e manutenção da hemostasia, aumento da oferta de oxigênio aos tecidos, e reversão das alterações bioquímicas e acidobásicas2.

Apesar de geralmente a reposição de hemocomponentes ser guiada por exames laboratoriais, em situações de grandes perdas de sangue, a abordagem baseada em exames laboratoriais para reposição de fatores de coagulação pode levar a um atraso no reconhecimento e tratamento do sangramento. Dessa forma, a perda maciça de sangue é mais bem gerenciada seguindo o protocolo de transfusão maciça1

 

Quais os riscos da transfusão maciça?

Apesar da transfusão sanguínea ser um método terapêutico universalmente aceito e comprovadamente eficaz, ela pode levar a reações adversas mesmo quando bem indicada. A reação transfusional é um efeito ou resposta indesejável em uma pessoa, associado temporalmente com a administração de sangue ou hemocomponente3. Algumas das complicações incluem:

  • Hipotermia;
  • Coagulopatia;
  • Distúrbios ácido/base e eletrolíticos;
  • Aumento do risco de infecção;
  • Lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão, entre outras. 

Dessa forma, os protocolos de transfusão maciça são projetados para interromper a tríade letal composta por acidose, hipotermia e coagulopatias, que se desenvolve com transfusão maciça, melhorando assim os resultados4. 

Logo, a estruturação de protocolos estabelecidos de atendimento em situações, por exemplo, de trauma grave com risco de transfusão maciça, é indispensável e reduz de maneira importante a mortalidade dos pacientes2

Existem diversos protocolos de transfusão maciça, eles variam de acordo com as culturas e valores institucionais e as experiências dos serviços de saúde. Entretanto, todos visam à rapidez e à segurança nas ações, sempre com uma boa logística dos serviços de hemoterapia para suporte transfusional2

Por fim, cada serviço deve procurar a melhor e mais adequada coesão entre as equipes, dentro de uma logística possível, para alocarem os recursos terapêuticos de maneira sensata e racional2.

 

 

 

Referências:

1 - Patil V, Shetmahajan M. Massive transfusion and massive transfusion protocol. Indian J Anaesth. setembro de 2014;58(5):590–5.

2 - Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Guia para o uso de hemocomponentes. Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada. – Brasília. 2015. 140 p; 2ª edição. Série A. Normas e Manuais Técnicos. ISBN 978-85-334-2161-5

3 - Brasil. Agência Nacional de Vigilância Sanitária – ANVISA. Marco Conceitual e Operacional de Hemovigilância: Guia para a Hemovigilância no Brasil. – 1ª. ed – Brasília: ANVISA, 2015. 76 p.

4 - Biagini S et al. Manual de Transfusão. Fundação Pró-sangue Hemocentro de São Paulo, 2ª Edição, 2020.p. 44.

 

 

 

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